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Um “canto” em forma de conto.

Na Índia é comum contar-se histórias para difundir um bom ensinamento ou estimular alguma reflexão.
Este tem sido um método usado milenarmente o que garante uma maneira suave, lúdica, não violenta de se abordar inúmeros dilemas que o homem enfrenta enquanto está no processo de seu amadurecimento emocional, espiritual…
Nos contos, o homem vai se deparar com personagens bons e maus, poderosos e fracos, feios e bonitos, com situações que repetem as suas vivências e por fim conseguirá muitas vezes resolver conflitos, dúvidas, tirar conclusões que lhe servirão como um novo roteiro de atitudes para sua vida.

Então, sente-se confortável e descontraído para “ouvir” na acústica da alma, este belíssimo conto!

Conta-se que há muito e muito tempo atrás, Krishna chamou seus amiguinhos crianças e lhes propôs brincar de esconde esconde. Cheias de alegria puseram-se a correr para todos os lados enquanto Krishna fazia a contagem: “−um, dois, três, quatro…” Enquanto contava, as crianças se dispersaram rapidamente procurando seus esconderijos secretos.

Uma delas achou uma frondosa árvore de tortuosos galhos e copa repleta de folhas. Ali ajustou seu pequeno corpo que tomou a aparência de um galho. Outra correu e escondeu-se dentro de uma caverna escura. Uma terceira, mergulhou dentro de um lago de águas profundas e volta e meia surgia à tona pra respirar e novamente se escondia… Assim como que numa mágica, as crianças “desapareceram” sem deixar pistas.

Krishna chegou ao fim da contagem e rapidamente se virou para a busca e captura de seus queridos. Procurou daqui e dali, olhos e ouvidos atentos para perceber o menor ruído e movimento dos amigos. Andou mais e mais, cobrindo uma maior área de busca e para surpresa sua, não conseguiu ver nada, nem ninguém…

O tempo foi passando e Krishna começou a ficar preocupado, pois não havia achado ninguém!
Então, começou a chamá-los pelos nomes: “ −Maya? Ajnana? Lobha? Alasya? Apareçam! Já está ficando tarde e logo, logo vai escurecer…”
Nenhuma criança foi achada!

Krishna então correu para a aldeia e foi chamar algumas pessoas para ajudá-lo, ao que atenderam prontamente! Todos se envolveram na procura das crianças, até que de repente, uma surgiu andando calmamente! krishna correu até ela e disse:
“− Por onde você andou tanto tempo? Estamos preocupados, por que ninguém foi encontrado!”
“− Ninguém? Do que você está falando? Quem você está procurando?”
“− Procuro pelas crianças que brincavam comigo de esconde esconde! Onde você estava?”
“− Esconde esconde? Eu? Lembro-me que subi em uma grande árvore e fiquei ali por muito tempo! Depois, vi uns macaquinhos e uma borboleta! Resolvi fazer o que eles faziam! Desci e brinquei como eles, acompanhei a borboleta que voou para muito longe… esconde esconde? Não me lembro…”

Assim temos nos comportado durante muitas vidas! Esquecemos-nos do endereço de Deus! Escondemo-nos no corpo e nas suas necessidades, ali passando os anos de nossa vida justificando, protelando de muitas maneiras diferentes como: “correrias sem fim”, “vantagens a qualquer preço”, “prazeres fugazes”, violência, desamor…
Aqueles que vieram ajudar na nossa procura, são alguns professores, pais… terapeutas, vindos a pedido da Divindade!
Até hoje, pouquíssimos foram achados, esquecidos de si mesmos, continuam escondidos em seus afazeres mundanos, sem sequer lembrar que a essência é espiritual e é ela que deverá governar tudo em nossa vida, se quisermos a plenitude e a paz.
O corpo e seus atributos bem como tudo aquilo que o envolve, são apenas instrumentos do qual deveremos fazer bom uso, para acharmos o caminho de volta à nossa origem, que é Divina.
Nossa origem…
Que é Divina…
Lembrar! Lembrando…
“−Um, dois, três! Te achei, “Jage”! Estava há séculos escondido no “sono profundo”! Pode sair!!!!!”


Glossário: Jage – desperto,  Maya – ilusão,  Ajnana – ignorância,  Alasya –  preguiça,  Lobha –  avareza

Texto: Dáfani Nardi

11 Comments

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  1. Acho que aos poucos vamos despertando do sonho de Maya e vivenciando nossa origem Divina! Que belo texto. Sua introdução me deixou muito à vontade para ler a história… como se tivesse te ouvindo narrar! Você escreve muito bem! Continue compartilhando estes belos textos com sua contribuição de reflexão… Um bj. S.

  2. Este texto é um alerta, para não nos afastarmos do caminho e escutarmos o chamado de nossa querida mestra .
    Namaste!

  3. Parabéns… meu coração emocionou-se com a beleza do texto, minha alma sentiu-se sensibilizada pela grande lição que você me ofereceu, realmente é preciso não nos perdermos nos caminhos da vida, pois tudo que aprendemos ao longo desta nossa existência, aos poucos vai sendo catalogado nas prateleiras do universo de nosso Pai Celestial. Quando despertamos, o amor jorra em abundância do nosso Ser ao outro, doando o que de melhor existe em nós. Amei tudo, seu blog esta lindo e o site maravilhoso. Carinhosamente, Sandra Conde.

  4. Minha querida amiga,

    que delícia ve-la trilhando mais esse espaço. Adorei!!!
    Muito me tocou esse texto e vou aguardar ansiosa os próximos.
    Muitos beijos, Zofija

  5. Muito grata pelo carinho de vocês. Ele é um incentivo para buscarmos energias no fundo do coração e transformá-las em palavras e atitudes que exprimam cuidado, amizade, vontade de colaborar na construção de um mundo melhor. Sonho com o momento em que naturalmente pensaremos com maior discernimento, tornando-nos mais capazes de fazer as nossas escolhas com segurança, porque aprendemos a ouvir a voz do nosso coração. Abraços a todos e continuemos… Namaste!

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