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Entrega

É noite! Chego até a janela e observo o movimento dos carros, cordões de faróis e lanternas vermelhas num ir e vir quase sem fim…

Às pressas, pessoas em grandes grupos atravessam as ameaçadoras avenidas em busca de outros sonhos…

As pequenas aves que ainda desafiaram a vida na cidade grande, já recolhidas, se aquietaram em seus abrigos.

O ruído de motores, vozes, buzinas ainda são intensos, mas há uma promessa de quietude!

É hora de praticar!

Estendo meu “mat” (tapete, meu solo sagrado onde as mudanças irão acontecer) e de pé sobre uma de suas extremidades, levo as mãos postas ao peito em pronam mudra. Fecho os olhos e busco olhar para dentro do meu coração… Alguns minutos assim, até que uma força me impulsiona!

“Inspiro” profundamente e inicio a prática dos asanas que vão me surgindo como uma necessidade nascida no âmago do meu Ser.

Gradativamente as mais simples e leves dão lugar às  mais elaboradas e exigentes, onde constato limitações, dores, alguns desconfortos… mas também êxitos e autossuperação.

Respiração em harmonia com os movimentos, atenção plena voltada para dentro, sem descuidar do entorno, o olhar projetado para o interno, buscando as lições de vida que cada movimento traz.

Em cada limitação uma lição que pode ser levada ou desdobrada para a vida das relações comigo mesma e com os outros, meu “campo de batalha” Kurukshetra.

Praticar asanas é um misto de emoções, sensações, constatações…

Enquanto está fácil, a mente quer teimar em sair saltando de galho em galho, se distraindo ou se achando a mais bacana! Trago-a novamente ao presente, sob a atenção da Consciência, que não é  infantil nem afoita.

Quando surgem as dificuldades ou limitações, eis que outra vez a mente tendenciosa ao conforto, vai querendo acabar com tudo… Novamente a Consciência pede para ela se acalmar, submeter-se e entregar-se ao coração!

Neste momento, vejo que a vida é semelhante à prática de asanas! Facilidades, limitações, desafios, alegrias das vitórias. Mas também há o momento que constato não poder fazer mais nada!

Instante crítico, pois muitas vezes teimamos em querer soluções num tempo que não depende de nós ou num momento impróprio.

O que fazer?

O mesmo que aprendi em meu mat: finalizo minha prática, colocando-me em relaxamento. Sinto os músculos soltarem suas tensões e deixo que somente os movimentos involuntários aconteçam… A mente serena se entrega e deixa que o corpo confiante aceite o acolhimento e o apoio do solo sagrado – Mãe Terra, expressão e manifestação da Mãe Divina!

E a vida pede que façamos o mesmo.

Somos seres em aprendizado, exercitando os ouvidos e olhos do corpo e da alma. Aprendendo a colocar a mente em serenidade, à disposição da Consciência e a serviço da Natureza.

As lutas do dia a dia existirão obrigando-nos à concentração, flexibilidade, força, equilíbrio enfim, ao progresso.

Elas trarão momentos de sorrisos, dores, planejamentos, tomadas de decisão.

Surgirão sentimentos de alegria pelas vitórias e constataremos que nem tudo depende de nós, que temos limitações e que a vida tem um mecanismo Inteligente que ainda nos foge à compreensão…

Então chegou o momento da entrega!

De mente e coração irmanados, harmonizados e serenos, sabedores do dever cumprido, iluminados pela Consciência lúcida, diremos:

Oh, Grande Força Organizadora dos universos micro e macro! Somente Tu és Onipresente, Onisciente, Onipotente!

“Eu entrego, eu confio, eu aceito, eu agradeço.”

Namaskar!

Texto: Dáfani Nardi

Imagem: Lago de Gabiet/ Itália ( Foto: Vivianne Medeiros)

 

 

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